Filipe Vigo Advocacia Internacional

Advocacia personalizada para quem deseja imigrar, obter a sua cidadania europeia, empreender ou investir com segurança na Europa.

Portugal vs. Espanha: Qual o Melhor Caminho para Portadores de Rendimentos Próprios?

Nos últimos anos, Portugal e Espanha tornaram-se destinos de eleição para quem busca uma vida tranquila, com segurança jurídica, clima agradável e qualidade de vida elevada. Entre as opções mais atrativas para quem possui rendimentos próprios, destacam-se o visto de residência para portador de rendimentos próprios em Portugal e a residência não lucrativa na Espanha.

Embora ambos os regimes tenham como objetivo permitir a residência de estrangeiros que não precisam trabalhar no país para se sustentar, as semelhanças param por aí. Cada um possui particularidades que podem fazer toda a diferença na decisão final — e é sobre essas nuances que vamos falar agora.


O que é o visto de residência para portador de rendimentos próprios em Portugal?

Em Portugal, o chamado visto D7 é direcionado a aposentados, pensionistas, rentistas ou titulares de rendimentos estáveis provenientes, por exemplo, de aplicações financeiras, imóveis ou empresas.
O objetivo é claro: atrair residentes financeiramente independentes, que contribuam para a economia local sem competir no mercado de trabalho.

Principais requisitos:

  • Comprovação de rendimentos mínimos equivalentes a pelo menos 100% do salário mínimo português por mês (em 2025, cerca de €820), acrescido de percentuais para familiares.
  • Comprovativo de meios de subsistência e de alojamento em Portugal.
  • Seguro de saúde ou inscrição no sistema nacional de saúde.
  • Ausência de antecedentes criminais relevantes.

Vantagens adicionais:

  • Acesso ao regime fiscal do Residente Não Habitual (RNH), com benefícios tributários significativos por até 10 anos.
  • Possibilidade de trabalhar, caso deseje.
  • Facilidade de mobilidade no espaço Schengen.
  • Possibilidade de requerer a nacionalidade portuguesa após 5 anos de residência legal (esse requisito pode sofrer alterações ainda esse ano de 2025).

O que é a residência não lucrativa na Espanha?

residencia no lucrativa é um regime muito semelhante, mas com regras próprias espanholas.
Voltada a estrangeiros que desejam viver na Espanha sem exercer atividade laboral, exige comprovação de renda suficiente para manter-se e, se aplicável, sustentar a família.

Principais requisitos:

  • Comprovação de recursos financeiros anuais equivalentes a 400% do IPREM (cerca de €30.000 por ano para o requerente principal em 2025) e 100% adicionais por cada familiar.
  • Seguro de saúde privado válido em todo o território espanhol.
  • Certidão de antecedentes criminais limpa.
  • Comprovação de alojamento.

Vantagens adicionais:

  • Residência inicial de 1 ano, renovável por períodos de 2 anos até completar 5 anos.
  • Após 5 anos, possibilidade de residência de longa duração.
  • Direito de circular pelo espaço Schengen.
  • Possibilidade de requerer a cidadania espanhola após 2 anos de residência legal, a depender da sua naturalidade e nacionalidade.

Comparativo direto: Portugal x Espanha

Embora a essência seja parecida — viver legalmente sem trabalhar — as diferenças práticas são relevantes:

CritérioPortugal (Visto D7)Espanha (Residencia No Lucrativa)
Exigência de rendaBaseada no salário mínimo (€820/mês)Baseada no IPREM (cerca de €2.500/mês)
Tempo para nacionalidade5 anos10 anos (2 anos para países ibero-americanos, Filipinas, Andorra, Guiné Equatorial, Portugal e sefarditas)
Regime fiscal especialSim, RNHNão
Período inicial da autorização2 anos, renovável por períodos de 3 anos1 ano, renovável por períodos de 2 anos
Perfil idealRenda moderada a altaRenda alta e estável

Comprovação de rendimentos e valores exigidos

Aqui está uma das diferenças mais importantes.

  • Portugal
    O cálculo baseia-se no salário mínimo nacional (2025: € 950,00). É necessário comprovar, por ano, o valor equivalente a:
    • 100% do salário mínimo para o requerente principal;
    • 50% para cada adulto adicional;
    • 30% para cada menor de idade.
    Exemplo: um casal sem filhos precisaria comprovar cerca de € 17.100 para um ano de residência.
  • Espanha
    O valor é calculado com base no IPREM – Indicador Público de Renda de Efeitos Múltiplos (2025: € 600/mês). A exigência mínima é de 400% do IPREM anual para o requerente principal (aprox. € 28.800) e 100% do IPREM anual para cada familiar acompanhante (aprox. € 7.200).Exemplo: um casal sem filhos necessitaria comprovar cerca de € 36.000 para um ano de residência.

Conclusão parcial: viver legalmente pela via não lucrativa na Espanha requer uma capacidade financeira maior do que em Portugal.


Documentação e requisitos adicionais

Apesar das semelhanças, há requisitos que variam entre os países.

  • Portugal:
    • Comprovação de rendimentos e meios de subsistência;
    • Seguro de saúde válido em território português;
    • Certidão de antecedentes criminais;
    • Comprovativo de alojamento (contrato de arrendamento, escritura de imóvel ou carta convite);
    • Vínculo prévio com o país não é obrigatório.
    • Proibição de ausência do território nacional por períodos superiores a 6 meses consecutivos ou 8 meses interpolados durante a validade da autorização de residência.
  • Espanha:
    • Comprovação de rendimentos superiores ao valor exigido;
    • Seguro de saúde privado integral (sem coparticipação);
    • Certificado médico atestando boa saúde;
    • Certidão de antecedentes criminais;
    • Exigência de permanência mínima de 183 dias por ano em território espanhol para manutenção do status.

Duração e renovação

  • Portugal: o visto inicial tem validade de 4 meses e serve para solicitar a autorização de residência junto à AIMA (ex-SEF). A primeira autorização é válida por 2 anos, renovável por períodos de 3 anos, até atingir 5 anos e poder solicitar a residência permanente e a nacionalidade portuguesa (desde que atendidos os requisitos legais).
  • Espanha: a autorização inicial é de 1 ano, renovável por períodos de 2 anos, até completar 5 anos e solicitar a residência de longa duração ou a nacionalidade espanhola (no caso de nacionais de países ibero-americanos, Filipinas, Andorra, Guiné Equatorial, Portugal e sefarditas, após 2 anos de residência legal).

Restrições

Ambos os regimes tem restrições quanto a realização de atividade remunerada em território nacional, mas:

  • Portugal autoriza o exercício de atividade remunerada, desde que não se torne a principal fonte de renda, mas permite, em alguns casos, a mudança de finalidade da autorização para trabalho, mediante pedido junto à AIMA.
  • Espanha não permite trabalhar durante a residência não lucrativa, mas, após um tempo mínimo, é possível solicitar a modificação para uma autorização de trabalho, desde que cumpridos os requisitos.

Qual escolher?

A decisão passa por três fatores-chave:

  1. Montante disponível de rendimentos — Quem possui renda mais elevada pode considerar a Espanha; rendas moderadas tendem a se encaixar melhor em Portugal.
  2. Objetivo de longo prazo — Se a meta é obter a nacionalidade rapidamente, é preciso observar a sua naturalidade e nacionalidade, pelo que, a depender do seu caso, a Espanha pode ser mais vantajosa (clique no link para ver nosso artigo sobre cidadania espanhola pela residência). Em Portugal o prazo médio é de 5 anos.
  3. Planejamento fiscal — O RNH em Portugal pode reduzir drasticamente a carga tributária, tornando-o atrativo para quem possui rendimentos internacionais.
  4. Custo de vida e impostos: em média, o custo de vida em Espanha pode ser superior, e a tributação sobre rendimentos mundiais pode variar conforme a situação fiscal.
  5. Estilo de vida: clima, cultura, idioma e oportunidades de integração também devem ser considerados.

Conclusão

Tanto o visto de residência para titulares de rendimentos próprios em Portugal quanto a residência não lucrativa na Espanha são excelentes opções para quem deseja viver na Europa com estabilidade e segurança jurídica.

Viver legalmente na Europa exige mais do que cumprir requisitos burocráticos. É preciso considerar o impacto fiscal, a velocidade para a cidadania e o custo de vida. Cada caso é único, e uma análise jurídica personalizada é a melhor forma de garantir que a escolha seja segura, estratégica e vantajosa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *